Porto Amazonas recebe projeto de resgate e valorização da cultura inca

Cultura - Terça-feira, 07 de Abril de 2026


Porto Amazonas recebe projeto de resgate e valorização da cultura inca

Estudantes de Porto Amazonas puderam visitar Machu Picchu sem sair da escola. Nesta sexta-feira (27), eles receberam o projeto “Flautas Ancestrais Indígenas: resgate e valorização”, idealizado pelo músico e professor Luís Javier Paredes Reategui, e puderam conhecer um pouco mais da cultura inca e das tradições dos povos originários. A iniciativa esteve presente Escola Estadual Olívio Belich e Colégio Estadual Cívico-Militar Coronel Amazonas com apresentações musicais e oficinas para confecção de panflute. O projeto é viabilizado pela Secretaria de Estado da Cultura do Paraná através de recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura do Ministério da Cultura (Governo Federal) e conta com a produção executiva da Dali Projetos Criativos e da ABC Projetos Culturais.
Para o diretor da Escola Estadual Olívio Belich, Willian Nelson Kozlinskei, a apresentação é uma oportunidade riquíssima para ampliar o repertório cultural dos alunos. “Vivemos em um mundo globalizado, mas muitas vezes ignoramos as raízes dos nossos próprios vizinhos sul-americanos. Ver e ouvir instrumentos milenares de perto tira o aprendizado do plano teórico dos livros e o transforma em uma experiência sensorial inesquecível”, enfatiza. Ele acrescenta que o som das flautas andinas mexe com o imaginário e acredita que o projeto vai despertar a curiosidade e o respeito pela diversidade. “A escola não é apenas um lugar de conteúdo didático, mas um polo de efervescência cultural. Receber um projeto desse nível democratiza o acesso à arte. Muitas vezes, nossos alunos não teriam a chance de assistir a uma apresentação dessas fora do ambiente escolar, então trazer o espetáculo até eles é cumprir o papel social da educação integral”, reforça.
Tradição que atravessa gerações
Natural do Peru, Javier cresceu em contato com a música e a cultura inca desde criança. “Meus avós são de Cusco, descendentes dos incas, e foi com eles que eu aprendi a tocar flauta. E a gente aprende brincando, como aqui as crianças aprendem a tocar um pandeiro ou jogar bola. É algo muito natural para nós lá, porque faz parte da nossa tradição”, explica. Hoje, ele usa essa arte para conscientizar as crianças de que existem outros povos e outras etnias, que mantêm suas tradições e seus costumes de forma independente. “Às vezes, as pessoas têm a ideia de que os indígenas são um grupo só, que todos são iguais e têm os mesmos costumes. Na verdade, não é assim. Cada povo tem sua própria tradição, sua própria cultura, suas próprias crenças e seus próprios costumes”, enfatiza.
O professor comenta que a receptividade do projeto tem sido muito grande e surpreendido de forma positiva. “As reações dos alunos são as mais diversas e a gente percebe aquele olhar de curiosidade, surpresa e encantamento. Eles ficam muito cativados por todo o contexto que a gente passa, porque a gente acaba falando o porquê dos instrumentos, o porquê das músicas, e tudo o que isso significa dentro do nosso cotidiano”, conta. “A música e os instrumentos estão relacionados com um todo da nossa cultura e a gente sempre está fazendo os links e as conexões. Tudo isso acaba enriquecendo o conhecimento dos alunos e o que eles veem nos livros de história sobre os incas e outras culturas originárias da América Latina”, frisa.
Ao todo, o projeto vai percorrer escolas públicas de dez municípios dos Campos Gerais com palestras sobre os instrumentos tradicionais indígenas, apresentações de músicas folclóricas e oficinas para confecção da panflute. As ações educativas acontecerão nos municípios de Ipiranga, Ivaí, Tibagi, Piraí do Sul, Palmeira, Porto Amazonas, São João do Triunfo, Castro, Ponta Grossa e Carambeí.

 

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